O termo anfetaminas se refere a uma classe de medicamentos estimulantes do sistema nervoso central. Eles podem alterar a atividade de neurotransmissores relacionados à atenção, à impulsividade e ao estado de alerta. Por terem potencial de uso indevido e dependência, não são medicamentos de uso livre e exigem avaliação, receita e acompanhamento profissional.
No Brasil, substâncias desse grupo estão entre as sujeitas a controle especial. A lista da Anvisa é atualizada periodicamente, por isso a forma de prescrição e dispensação deve ser confirmada na receita, na farmácia e com o profissional que acompanha o tratamento.
Para que servem as anfetaminas?
A indicação depende da substância, da formulação e da avaliação clínica. Um exemplo é a lisdexanfetamina, estimulante que pode ser indicado para o tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em pacientes a partir de 6 anos e para o transtorno de compulsão alimentar (TCA) em adultos, conforme a bula do produto. A Anvisa também descreve essas indicações ao tratar da segurança de estimulantes como lisdexanfetamina e metilfenidato.
No TDAH, o medicamento pode fazer parte de um plano mais amplo, que pode envolver orientação à família, intervenções psicossociais, organização da rotina e acompanhamento regular. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde reforça que diagnóstico, tratamento e monitoramento devem seguir critérios clínicos.
Já no TCA, a redução de episódios de compulsão não significa que a anfetamina seja uma solução para emagrecimento estético. Redução do apetite e perda de peso podem ocorrer como efeitos do medicamento, mas isso não transforma qualquer estimulante em tratamento apropriado para perder peso. Para discutir opções usadas na obesidade, consulte também o conteúdo sobre remédios para emagrecer e uso seguro.
Como tomar anfetaminas com segurança?
Não existe uma dose ou horário que sirva para todas as pessoas. A escolha do medicamento, a dose inicial, os ajustes e o tempo de tratamento variam conforme a indicação, a idade, outras condições de saúde, os medicamentos em uso e a resposta individual.
Na prática, o uso seguro inclui seguir exatamente a prescrição, não compartilhar cápsulas ou comprimidos, não aumentar a dose por conta própria e não usar o medicamento para estudar mais, trabalhar por mais tempo, treinar ou reduzir o apetite. A bula da lisdexanfetamina orienta que o tratamento seja reavaliado periodicamente e que a pessoa informe todos os medicamentos, vitaminas e fitoterápicos usados.
Também é importante não iniciar, trocar ou interromper o medicamento sem orientação. Em uso prolongado ou em doses elevadas, uma suspensão abrupta pode estar associada a sintomas como cansaço intenso e humor deprimido. Em caso de esquecimento de dose, dúvida sobre o horário ou suspeita de reação adversa, a conduta deve ser individualizada pelo prescritor ou farmacêutico.
Efeitos colaterais mais relatados
Os efeitos colaterais variam entre os medicamentos e as pessoas. Em bula de lisdexanfetamina, estão entre as reações muito comuns redução do apetite, dificuldade para dormir, dor de cabeça, boca seca, agitação e dor abdominal. Também podem ocorrer ansiedade, irritabilidade, náusea, tremor, palpitações, aumento da frequência cardíaca ou da pressão arterial.
Há efeitos menos frequentes, porém potencialmente relevantes, incluindo alterações importantes de humor ou comportamento, alucinações, convulsões e reações alérgicas. Em 2025, a Anvisa solicitou a inclusão do risco de manifestações relacionadas ao transtorno obsessivo-compulsivo nas bulas de medicamentos com lisdexanfetamina e metilfenidato. Isso não quer dizer que o evento ocorrerá em todas as pessoas, mas reforça a importância do acompanhamento e da comunicação de sintomas novos.
Quando procurar atendimento rapidamente?
Procure atendimento médico imediato diante de dor no peito, falta de ar, desmaio, batimentos muito acelerados ou irregulares, convulsão, reação alérgica importante ou alterações mentais intensas, como alucinações. Esses sinais precisam de avaliação sem demora.
Quem precisa de cautela ou pode não poder usar?
As contraindicações e precauções dependem do produto. Em geral, o médico avalia com atenção histórico de doença cardíaca, pressão alta, glaucoma, hipertireoidismo, ansiedade intensa, transtornos psiquiátricos, convulsões e uso prévio problemático de álcool ou outras drogas. Certos antidepressivos, especialmente os inibidores da monoamina oxidase, podem ser incompatíveis com alguns estimulantes.
Antes de prescrever, o profissional deve conhecer o histórico de saúde e os medicamentos em uso. Durante o tratamento, podem ser necessários acompanhamentos de pressão arterial, frequência cardíaca, peso, crescimento de crianças e adolescentes e possíveis mudanças de humor ou comportamento. Gestantes, pessoas que planejam engravidar ou que amamentam devem conversar com o médico antes de usar qualquer medicamento desse grupo.
Anfetaminas e risco de dependência
O risco de dependência existe, sobretudo quando há uso fora da prescrição, aumento autônomo de dose ou finalidade recreativa. Tolerância, desejo de repetir o uso, insônia, irritabilidade e mudanças de comportamento são sinais que merecem atenção. Guardar o medicamento em local seguro e não oferecê-lo a outra pessoa são medidas básicas de proteção.
Medicamentos anorexígenos também têm regras e riscos próprios. A anfepramona, por exemplo, não deve ser tratada como equivalente à lisdexanfetamina nem utilizada com base em relatos de terceiros. A decisão terapêutica deve sempre considerar a substância específica, a bula e a avaliação médica.
Perguntas frequentes sobre anfetaminas
Anfetaminas são vendidas sem receita?
Não. Medicamentos com substâncias controladas seguem regras especiais de prescrição e dispensação no Brasil. Não compre em redes sociais, marketplaces ou sites sem procedência, pois há risco de falsificação, uso inadequado e intoxicação.
Anfetaminas emagrecem?
Algumas podem reduzir o apetite e causar perda de peso como efeito colateral, mas isso não é indicação para automedicação. A lisdexanfetamina pode ser indicada para TCA em adultos, condição diferente de querer emagrecer. O tratamento do peso deve ser discutido com profissional de saúde e incluir avaliação das causas, hábitos e riscos individuais.
Posso tomar anfetamina somente em dias de estudo ou trabalho intenso?
Não sem orientação médica. Usar estimulantes para melhorar desempenho, sem diagnóstico e prescrição, aumenta o risco de efeitos cardiovasculares, insônia, ansiedade e uso problemático. A frequência de uso deve seguir o plano definido pelo prescritor.
Posso parar de tomar por conta própria?
Não é recomendável. Converse com o profissional que acompanha o tratamento antes de fazer pausas, reduzir ou interromper a medicação. Ele poderá avaliar sintomas, efeitos adversos e a forma mais segura de conduzir a mudança.
Fontes consultadas: Anvisa — lista de substâncias sujeitas a controle especial; Ministério da Saúde — PCDT de TDAH; Anvisa — alerta de farmacovigilância sobre estimulantes; Bula do paciente de lisdexanfetamina.





