Saúde

Os desafios da obesidade no mundo e os caminhos para enfrentá-la no Brasil

Entenda os principais desafios da obesidade no mundo, o cenário brasileiro, os fatores envolvidos e medidas individuais e coletivas que podem contribuir para a prevenção e o cuidado.

Ilustração de Profissional de saúde conversando com uma família sobre alimentação equilibrada em ambiente clínico claro e acolhedor

Os desafios da obesidade no mundo envolvem muito mais do que escolhas individuais. A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica e de natureza multifatorial, influenciada por fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos e ambientais. Por isso, enfrentá-la exige cuidado contínuo, acesso a serviços de saúde e condições reais para uma rotina mais saudável.

O problema tem dimensão global. Em 2022, cerca de 1 em cada 8 pessoas no mundo vivia com obesidade; entre adultos, a prevalência mundial mais que dobrou desde 1990. A situação também preocupa na infância e adolescência, fases em que hábitos, contexto familiar, escola e acesso a alimentos exercem grande influência. Os dados são da OMS.

Por que a obesidade é um desafio de saúde pública?

A obesidade pode aumentar o risco de condições como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, apneia do sono, problemas osteoarticulares e alguns tipos de câncer. Isso não significa que toda pessoa com obesidade tenha essas doenças, nem que o peso corporal determine sozinho o estado de saúde. Ainda assim, acompanhar pressão arterial, glicemia, perfil lipídico, sono, bem-estar emocional e outros indicadores é importante para uma avaliação individualizada.

O índice de massa corporal, ou IMC, é uma medida usada no rastreamento populacional. Em adultos, IMC igual ou superior a 30 kg/m² é um dos critérios empregados para classificar obesidade. Porém, ele não avalia isoladamente a distribuição de gordura, a composição corporal, os hábitos ou a história clínica. Por isso, resultados e metas devem ser discutidos com profissionais de saúde, sem julgamentos ou comparações simplistas.

O cenário da obesidade no Brasil

No Brasil, o desafio é expressivo. A Pesquisa Nacional de Saúde estimou que, em 2019, 25,9% das pessoas com 18 anos ou mais tinham obesidade, enquanto 60,3% apresentavam excesso de peso. A pesquisa também identificou 6,7% de obesidade entre adolescentes de 15 a 17 anos. Esses números ajudam a mostrar que prevenção e cuidado precisam alcançar diferentes idades e realidades sociais. Veja os dados divulgados pelo IBGE.

Nas capitais e no Distrito Federal, o monitoramento do Ministério da Saúde também aponta crescimento ao longo do tempo. No Vigitel, a obesidade autorreferida em adultos passou de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023. Como se trata de um inquérito telefônico e de dados informados pelos participantes, os resultados devem ser compreendidos dentro dessa metodologia, mas são úteis para acompanhar tendências. O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde detalha essa série histórica.

Fatores que tornam o problema mais complexo

Reduzir a obesidade à falta de força de vontade ignora fatores que limitam escolhas no dia a dia. Em muitos territórios, alimentos in natura ou minimamente processados podem custar mais, estar distantes de casa ou exigir tempo de preparo que nem todas as famílias têm. Ao mesmo tempo, produtos ultraprocessados costumam ser práticos, amplamente divulgados e fáceis de encontrar.

A rotina urbana, o deslocamento demorado, a falta de locais seguros para caminhar ou pedalar, o sono insuficiente, o estresse e a publicidade de alimentos também interferem nos hábitos. Há ainda situações clínicas, uso de alguns medicamentos e componentes genéticos que podem influenciar o ganho de peso. Cada caso tem particularidades e merece escuta qualificada.

Outro obstáculo é o estigma. Comentários humilhantes e discriminação por peso não promovem saúde; podem afastar pessoas de consultas, atividades físicas e espaços de convivência. Uma abordagem respeitosa prioriza saúde, funcionalidade e qualidade de vida, em vez de prometer um padrão corporal específico.

Prevenção: responsabilidade compartilhada

Há medidas pessoais que podem ajudar, como organizar refeições possíveis para a rotina, cozinhar mais quando viável, incluir frutas, verduras, leguminosas e alimentos básicos, reduzir bebidas açucaradas e encontrar formas prazerosas de se movimentar. Pequenas mudanças sustentáveis tendem a ser mais úteis do que restrições severas ou soluções rápidas.

Isso não substitui a responsabilidade coletiva. A OMS defende ambientes que tornem a alimentação adequada e a prática de atividade física mais acessíveis, disponíveis e economicamente viáveis. Entre as ações debatidas estão rotulagem clara, regulação da publicidade dirigida ao público infantil, oferta de alimentos saudáveis em escolas e equipamentos públicos, urbanismo favorável à mobilidade e políticas que ampliem o acesso a alimentos de melhor qualidade. Conheça recomendações sobre políticas fiscais para promover dietas saudáveis.

Onde entra o cuidado individual?

O acompanhamento pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS), especialmente quando há ganho de peso persistente, dificuldade para controlar a alimentação, doenças associadas ou sofrimento emocional. Médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física podem compor o cuidado conforme a necessidade de cada pessoa.

Dietas muito restritivas, promessas de emagrecimento acelerado e produtos apresentados como solução única merecem cautela. Em vez de seguir modismos, vale entender os riscos de propostas extremas, como explicado neste conteúdo sobre a dieta do ovo para emagrecer rápido. Em alguns casos, podem ser indicados tratamentos com medicamentos ou cirurgia bariátrica, mas essas decisões dependem de avaliação clínica criteriosa e acompanhamento de longo prazo.

Perguntas frequentes sobre obesidade

Obesidade é apenas resultado de comer demais?

Não. A alimentação participa do processo, mas a obesidade envolve a interação entre fatores biológicos, comportamentais, emocionais, sociais e ambientais. Generalizações podem dificultar um cuidado adequado.

Atividade física sozinha resolve a obesidade?

A atividade física traz benefícios para a saúde física e mental, independentemente do peso, mas não deve ser vista como solução isolada. O cuidado costuma envolver alimentação, sono, saúde emocional, condições clínicas e acompanhamento profissional quando necessário.

Como prevenir obesidade infantil?

A prevenção inclui oferecer alimentação variada e adequada, incentivar brincadeiras ativas, cuidar do sono, limitar bebidas açucaradas e reduzir o tempo sedentário de tela conforme a idade. Escola, família, comunidade e políticas públicas têm papéis complementares.

Quando procurar ajuda profissional?

Procure uma UBS ou profissional de saúde se houver ganho de peso que preocupe, histórico de doenças relacionadas, uso de medicamentos que afetem o peso, compulsão alimentar, sofrimento emocional ou dúvidas sobre tratamentos. O objetivo é construir um plano seguro, realista e respeitoso.

Foto de Vinícius de Paula

Escrito por: Vinícius de Paula

Jornalista

MTB 0089428/SP

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