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Esmalte faz engordar? O que os estudos sobre trifenil fosfato realmente mostram

Entenda por que a ideia de que esmalte faz engordar não é comprovada, o que os estudos dizem sobre o trifenil fosfato (TPHP) e como avaliar rótulos no Brasil.

Ilustração de Pessoa analisando o rótulo de um esmalte ao lado de frascos de esmalte em fundo claro

A afirmação de que esmalte faz engordar não é comprovada por estudos em pessoas. Ela surgiu principalmente a partir de pesquisas sobre o trifenil fosfato, também chamado de TPHP ou TPhP, um ingrediente que pode ser usado em alguns produtos para unhas. Há motivos legítimos para a ciência investigar a exposição a essa substância, mas transformar essa preocupação em certeza de que usar esmalte causa obesidade é um salto que as evidências disponíveis não permitem dar.

O peso corporal é influenciado por uma combinação de alimentação, sono, atividade física, condições de saúde, medicamentos, fatores sociais, genética e outros aspectos. Portanto, culpar um único cosmético pelo ganho de peso pode desviar a atenção de medidas mais úteis e individualizadas para a saúde.

De onde veio a ideia de que esmalte engorda?

Um estudo publicado em 2016 avaliou dez esmaltes e acompanhou 26 participantes após a aplicação de um produto que continha TPHP. Os pesquisadores observaram aumento, na urina, de um metabólito relacionado à substância entre 10 e 14 horas depois da esmaltação. Isso indica que o esmalte pode ser uma fonte de exposição de curto prazo ao TPHP, especialmente pela pele. O estudo, porém, não mediu ganho de peso, gordura corporal nem ocorrência de obesidade.

Em outras palavras, a pesquisa mostrou exposição ao composto, e não que o esmalte tenha feito participantes engordarem. Essa diferença é essencial para interpretar corretamente manchetes e publicações nas redes sociais. Leia o resumo do estudo sobre esmaltes e exposição ao TPHP.

O que a ciência sabe sobre o trifenil fosfato?

O TPHP é estudado porque experimentos laboratoriais e pesquisas com animais sugerem possíveis efeitos sobre vias ligadas ao metabolismo e à formação de células de gordura. Por exemplo, um estudo em células pré-adiposas encontrou aumento da diferenciação dessas células na presença de TPHP. Esses resultados ajudam a formular hipóteses sobre mecanismos biológicos, mas não equivalem a demonstrar que pessoas que usam esmalte ganham peso por essa razão.

Estudos de laboratório utilizam condições controladas, células ou doses que não reproduzem necessariamente a exposição cotidiana de quem esmalta as unhas. Além disso, a exposição ao TPHP pode ocorrer por diferentes fontes, e não apenas por cosméticos. Por isso, ainda faltam estudos humanos bem conduzidos que consigam separar essas exposições e demonstrar uma relação de causa e efeito com aumento de peso. Veja a pesquisa experimental sobre TPHP e diferenciação de células adiposas.

Uma avaliação recente de especialistas classificou o TPHP como uma substância suspeita de causar desregulação metabólica, destacando tanto os sinais de preocupação quanto as lacunas nas evidências. Já o Comitê Científico de Segurança dos Consumidores da Comissão Europeia concluiu, em parecer final de 2024, que não era possível estabelecer a segurança do TPHP em produtos para unhas porque seu potencial genotóxico não podia ser excluído com as informações disponíveis. Isso não é o mesmo que provar que o esmalte engorda; mostra que a avaliação de segurança da substância exige cautela e mais dados. Consulte a revisão de peso das evidências e o parecer científico europeu sobre TPHP.

Como avaliar esmaltes com mais consciência no Brasil

Não é necessário abandonar o esmalte por medo de engordar. Uma conduta mais razoável é fazer escolhas informadas, respeitar a forma de uso indicada e observar como a pele e as unhas reagem ao produto.

  • Leia a composição: procure a lista de ingredientes no rótulo, na etiqueta ou no acesso digital indicado pela embalagem. No Brasil, a nomenclatura INCI continua obrigatória, e os produtos fabricados desde novembro de 2023 devem disponibilizar a composição em português na rotulagem ou em meio digital.
  • Se desejar evitar o composto: busque por “Triphenyl Phosphate” na lista de ingredientes. A ausência de TPHP não torna automaticamente um produto “sem risco”, mas permite uma decisão alinhada à sua preferência.
  • Prefira produtos regularizados: compre de empresas identificadas e canais confiáveis. A Anvisa atualiza regras e listas de substâncias usadas em cosméticos conforme avaliações de segurança e referências regulatórias.
  • Evite o uso em pele irritada: suspenda o produto se houver ardor, coceira, vermelhidão, descamação ou alteração nas unhas e procure avaliação dermatológica quando os sintomas persistirem.
  • Redobre os cuidados no trabalho: profissionais de manicure podem ter contato mais frequente com diversos produtos. Ventilação, higiene das mãos, organização do ambiente e orientação de saúde ocupacional são medidas importantes.

As regras de rotulagem ajudam o consumidor a identificar a formulação, mas produtos diferentes — e até tonalidades distintas — podem ter composições próprias. Vale conferir o rótulo do item que será usado, sem se basear apenas em listas antigas da internet. Confira as orientações da Anvisa sobre ingredientes cosméticos na rotulagem.

O que fazer se a preocupação é ganhar peso?

Se houve ganho de peso sem explicação clara, o esmalte não deve ser tratado como causa principal. Mudanças persistentes no peso merecem uma análise ampla, que pode incluir rotina alimentar, sono, nível de atividade, estresse, uso de medicamentos e histórico de saúde. Médico e nutricionista podem orientar essa investigação quando necessário.

Para quem busca mudanças sustentáveis, é mais útil priorizar hábitos possíveis de manter do que recorrer a restrições radicais ou explicações simplistas. Veja também nosso conteúdo sobre como perder gordura da barriga com hábitos realistas e saúde.

Perguntas frequentes

Estudos comprovam que esmalte faz engordar?

Não. Os estudos disponíveis não comprovam que usar esmalte cause ganho de peso ou obesidade em seres humanos. Uma pesquisa identificou aumento temporário de metabólitos de TPHP após a esmaltação, enquanto estudos experimentais levantam hipóteses sobre possíveis efeitos metabólicos da substância.

Todo esmalte contém trifenil fosfato?

Não. A formulação varia entre marcas, linhas, acabamentos e tonalidades. A forma mais confiável de verificar é consultar a lista de ingredientes do produto específico e procurar por “Triphenyl Phosphate”, caso esse seja o composto que você deseja evitar.

Devo parar de usar esmalte?

Não há evidência de que seja necessário parar de usar esmalte para controlar o peso. Se a preocupação for a exposição a determinados ingredientes, é possível optar por produtos cuja composição atenda às suas preferências, usar conforme as instruções e comprar de fabricantes identificados.

O esmalte pode causar alergia?

Alguns ingredientes de esmaltes podem desencadear irritação ou dermatite de contato em pessoas sensíveis. Coceira, vermelhidão, ardor, descamação ao redor das unhas ou alterações persistentes devem motivar a suspensão do uso e a avaliação com dermatologista.

Foto de Marcia Limma

Escrito por: Marcia Limma

Nutricionista

MPPS 4781

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