Quando se fala em tipos de celulite, normalmente a referência é à celulite estética: as ondulações, depressões e “furinhos” que aparecem sobretudo em coxas, nádegas, quadris e abdômen. Trata-se de uma alteração muito comum da superfície da pele, especialmente em mulheres após a puberdade, e não é sinônimo de falta de cuidado, excesso de peso ou doença.
A aparência resulta de uma combinação de fatores. A organização do tecido adiposo sob a pele, os septos fibrosos que conectam camadas do tecido subcutâneo, a espessura da pele, hormônios e predisposição genética podem participar desse processo. Embora existam várias explicações propostas, a origem exata e todos os mecanismos envolvidos ainda não são completamente definidos pela ciência. Uma revisão científica sobre o tema destaca o papel importante dos septos fibrosos na formação das depressões visíveis.
Tipos de celulite: o que significam as classificações mais conhecidas
Os nomes “adiposa”, “edematosa” e “fibrosa” são muito usados na estética para descrever características observadas ao toque e à vista. Porém, é importante entender que eles não constituem um diagnóstico médico padronizado. A literatura científica também aponta falta de consenso entre escalas e classificações de gravidade da celulite.
Celulite adiposa
Esse termo costuma ser usado quando há maior acúmulo de tecido adiposo na região e a pele apresenta aspecto mais flácido ou com ondulações. Em descrições estéticas, ela tende a ser mais percebida em coxas, quadris, nádegas e abdômen.
O aumento de peso pode deixar a celulite mais aparente em algumas pessoas, mas pessoas magras e fisicamente ativas também podem ter celulite. Portanto, não é correto atribuí-la apenas à gordura corporal nem esperar que o emagrecimento a elimine. A perda de peso pode melhorar a aparência para algumas pessoas, mas a flacidez da pele após emagrecer também pode tornar os furinhos mais visíveis.
Celulite edematosa
“Edematosa” é uma denominação popular para casos em que há sensação de inchaço ou peso nas pernas junto às irregularidades da pele. Retenção de líquido, longos períodos sentada ou em pé e condições relacionadas à circulação podem influenciar o inchaço, mas não é possível confirmar sua causa apenas olhando a pele.
Inchaço persistente, assimétrico, doloroso ou acompanhado de veias muito aparentes merece avaliação médica. Nem toda alteração de volume nas pernas deve ser chamada de celulite estética; existem outras condições que precisam de investigação adequada.
Celulite fibrosa
Essa expressão costuma descrever áreas em que a pele parece mais endurecida, com depressões marcadas e, por vezes, sensibilidade ao toque. A ideia está relacionada à participação dos septos de tecido conjuntivo, que podem tracionar a pele e contribuir para o relevo irregular.
Apesar de muitas propagandas sugerirem que esse tipo seria “impossível de tratar”, essa afirmação é exagerada. A resposta a qualquer abordagem varia conforme a anatomia da região, a intensidade das depressões, a qualidade da pele e o método utilizado. Não há solução única ou resultado garantido.
Graus de celulite: uma forma prática de avaliar a aparência
Além dos tipos populares, é comum classificar a celulite por graus de acordo com sua visibilidade. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica apresenta uma divisão em quatro graus:
- Grau 1: os furinhos aparecem principalmente quando a pele é comprimida.
- Grau 2: as ondulações já podem ser vistas sem apertar a pele.
- Grau 3: há depressões e nódulos mais perceptíveis.
- Grau 4: o relevo é mais intenso, com múltiplos nódulos e possível aspecto acolchoado.
Essa graduação pode ajudar na conversa com o dermatologista, mas não deve servir como motivo de comparação ou autocrítica. A celulite estética é extremamente frequente e não determina a saúde, a higiene ou o valor de uma pessoa.
O que pode ajudar a deixar a celulite menos aparente
Hábitos de saúde não eliminam obrigatoriamente a celulite, mas podem favorecer a composição corporal, a força muscular e o bem-estar geral. Atividade física regular, alimentação variada, sono adequado e manutenção de um peso compatível com a realidade individual são medidas razoáveis. O ganho de massa muscular, por exemplo, pode deixar o contorno corporal visualmente mais firme em algumas pessoas.
Procedimentos dermatológicos podem ser considerados quando o incômodo é importante. Entre as opções estudadas estão técnicas que atuam nos septos fibrosos, como a subcisão, além de alguns lasers e aparelhos de energia. Os resultados, os riscos, a duração do efeito e as indicações variam. A Academia Americana de Dermatologia ressalta que determinados tratamentos podem reduzir a aparência da celulite, mas vários exigem manutenção e nem todos apresentam evidência consistente.
Cremes com cafeína ou retinoides podem produzir melhora discreta e temporária em algumas pessoas, sobretudo na aparência da pele, mas não removem os septos que formam as depressões. Suplementos, chás “detox” e massagens vendidos como cura definitiva não têm comprovação sólida para acabar com a celulite.
Quando procurar avaliação médica
Vale marcar consulta com dermatologista se houver dúvida sobre a alteração da pele ou interesse em procedimentos. Procure atendimento sem demora se a região ficar subitamente vermelha, quente, dolorida e inchada, especialmente se houver febre ou mal-estar. Esses sinais podem indicar celulite infecciosa, uma infecção bacteriana que não tem relação com a celulite estética e precisa de avaliação médica. O Manual MSD explica os sinais e o tratamento dessa condição infecciosa.
Perguntas frequentes sobre tipos de celulite
Quantos tipos de celulite existem?
Na linguagem estética, os tipos mais citados são adiposa, edematosa e fibrosa. Contudo, essa divisão não é um diagnóstico médico universalmente padronizado. A classificação por graus, baseada na visibilidade das ondulações e nódulos, também é bastante usada.
Celulite fibrosa dói?
Algumas pessoas relatam sensibilidade ou dor ao apertar áreas descritas como fibrosas. Porém, dor importante, inchaço significativo ou mudança rápida na pele não devem ser atribuídos automaticamente à celulite estética: é recomendável buscar avaliação profissional.
Beber mais água acaba com a celulite?
Manter boa hidratação é importante para a saúde geral, mas não há evidência de que beber água, por si só, elimine a celulite. A aparência dos furinhos depende de estruturas sob a pele e de diversos fatores individuais.
Exercício físico elimina a celulite?
Não necessariamente. Exercícios podem melhorar condicionamento, força e composição corporal, o que pode reduzir a percepção da celulite em algumas pessoas. Ainda assim, é comum que ela permaneça, inclusive em pessoas ativas.





