O chá de romã feito com a casca costuma aparecer em buscas por uma bebida antioxidante, digestiva ou até associada ao emagrecimento. A romã, de nome científico Punica granatum, realmente contém compostos vegetais de interesse científico. Mas há uma diferença importante entre conhecer esses compostos e concluir que uma infusão caseira de cascas deve ser consumida para prevenir ou tratar problemas de saúde.
No Brasil, a orientação oficial disponível no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira descreve a preparação com casca de romã para uso externo na cavidade oral, em bochechos ou gargarejos, e alerta para não engolir o produto. Por isso, é prudente não tratar o chá de casca de romã como uma bebida de uso livre e diário.
Chá de romã: 3 pontos para entender antes de beber a infusão de cascas
1. A casca concentra polifenóis, mas isso não equivale a benefício clínico comprovado
A casca da romã contém taninos hidrolisáveis, como punicalaginas, além de ácido elágico e outros compostos fenólicos. Em laboratório, essas substâncias demonstram atividade antioxidante, isto é, participam de reações relacionadas à oxidação. Uma revisão científica aponta que boa parte das alegações sobre a casca ainda vem de estudos in vitro e que são necessários ensaios clínicos conclusivos para confirmar efeitos na saúde das pessoas.
Além disso, a quantidade desses compostos varia conforme a variedade da fruta, o armazenamento, a secagem e a forma de extração. Portanto, não é possível transferir automaticamente o resultado de um extrato padronizado para uma xícara preparada em casa. Veja a revisão sobre a composição fenólica da casca de romã no PubMed.
2. Pesquisas com romã não validam promessas de “detox”, cura ou emagrecimento
Estudos em pessoas avaliaram suco, suplementos e extratos de romã em contextos específicos. Há resultados que sugerem efeitos modestos sobre pressão arterial ou glicemia em algumas pesquisas, porém as conclusões ainda exigem confirmação e não dizem respeito diretamente ao chá caseiro de casca. O órgão norte-americano NCCIH ressalta que as evidências são limitadas para muitas das condições divulgadas em torno da romã.
Assim, não há base para afirmar que a infusão “limpa o organismo”, elimina toxinas, trata gastrite, combate infecções, previne câncer ou acelera a perda de peso. O organismo já possui sistemas próprios de eliminação de substâncias, principalmente fígado e rins, e emagrecer depende do conjunto da rotina alimentar, do movimento, do sono, da saúde e, quando necessário, de acompanhamento profissional.
Se o objetivo for reduzir o peso com escolhas sustentáveis, vale conhecer o que comer à noite para emagrecer com mais equilíbrio e saciedade, sem recorrer a bebidas com promessas exageradas.
3. A parte da planta e a forma de uso fazem diferença para a segurança
Comer os arilos — as partes vermelhas e suculentas da fruta — é diferente de ingerir uma preparação concentrada feita com a casca. Segundo o NCCIH, suco de romã é geralmente considerado seguro, mas raiz, caule e casca podem causar efeitos prejudiciais quando usados em grandes quantidades. Também há relatos de desconfortos gastrointestinais e reações alérgicas associados a produtos de romã.
Essa cautela é especialmente relevante para gestantes, pessoas que amamentam, crianças, quem tem alergia à fruta e quem utiliza medicamentos continuamente. Nesses casos, a segurança do uso oral de outras partes da planta além do suco não está bem estabelecida. Quem faz tratamento para diabetes, pressão alta, doenças do fígado, doenças renais ou usa vários remédios deve conversar com médico ou farmacêutico antes de usar produtos herbais com frequência.
Então, é possível tomar chá de casca de romã?
Como a referência oficial brasileira para a casca do fruto indica bochecho e gargarejo, com orientação para não engolir, a opção mais segura é não usar a infusão de cascas como bebida por conta própria. Isso não significa que a romã como alimento deva ser evitada: a fruta pode fazer parte de uma alimentação variada, por exemplo em saladas, iogurtes naturais ou consumida in natura.
Para desconforto de garganta, dor persistente, febre, dificuldade para engolir, falta de ar ou lesões na boca, não substitua avaliação de um profissional por chás ou gargarejos. A mesma lógica vale para sintomas digestivos frequentes, diarreia, sangue nas fezes ou perda de peso sem explicação.
Como ter uma relação mais equilibrada com bebidas naturais
- Prefira água como principal bebida do dia.
- Consuma frutas em sua forma habitual para obter fibras e variedade alimentar.
- Desconfie de termos como “detox”, “seca barriga” e “cura natural”.
- Não aumente dose, concentração ou frequência de uso na tentativa de potencializar efeitos.
- Para chás e preparações de plantas, considere a espécie correta, a parte usada e a orientação de fontes confiáveis.
Em resumo, a casca de romã é rica em compostos bioativos e merece investigação científica. Ainda assim, a evidência disponível não sustenta promessas amplas para uma infusão caseira ingerida, e a recomendação brasileira para a preparação tradicional é de uso externo na boca. Cautela e informação de qualidade são mais úteis do que transformar um chá em tratamento.
Perguntas frequentes sobre chá de romã
Chá de casca de romã emagrece?
Não há evidência de que o chá de casca de romã provoque emagrecimento. Nenhuma bebida isolada substitui um plano alimentar adequado, atividade física compatível com a pessoa e cuidados com a saúde. Evite usá-lo como estratégia de “detox” ou para compensar excessos.
Chá de romã é bom para dor de garganta?
O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira cita a casca de romã para bochechos ou gargarejos como antisséptico e anti-inflamatório da cavidade oral, sem ingestão da preparação. Se os sintomas forem intensos, durarem mais de poucos dias ou vierem com febre e dificuldade para respirar ou engolir, procure atendimento.
Gestante pode tomar chá de casca de romã?
Não é recomendável iniciar o consumo oral de infusão ou extratos de casca de romã na gestação sem orientação profissional. Há pouca informação sobre a segurança de outras partes da planta e de preparações concentradas nesse período.
Posso usar a casca fresca da romã para fazer bebida?
Não é uma boa ideia usar a casca para bebida sem recomendação de profissional habilitado. A casca tem composição diferente da polpa e dos arilos, e o preparo doméstico não permite padronizar concentração ou avaliar segurança. Para apreciar a fruta, prefira os arilos frescos e bem higienizados.
Fontes consultadas: National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH); revisão científica sobre compostos fenólicos da casca de romã; Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira.





