Ozempic é o nome comercial de uma solução injetável com semaglutida, medicamento utilizado no tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2. Ele não substitui hábitos de saúde nem o acompanhamento clínico, mas pode integrar o plano terapêutico quando indicado pelo profissional que acompanha a pessoa com diabetes.
No Brasil, o Ozempic é aprovado como adjuvante à alimentação e à atividade física para melhorar o controle glicêmico no diabetes tipo 2. Pode ser usado isoladamente quando a metformina não é adequada ou em associação a outros medicamentos. Em 2 de fevereiro de 2026, a Anvisa também aprovou indicação para reduzir o risco de piora sustentada da função renal, doença renal em estágio terminal e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, sempre em complemento ao tratamento padrão.
É um medicamento de prescrição. Desde junho de 2025, os agonistas de GLP-1, grupo ao qual a semaglutida pertence, são vendidos no país com receita em duas vias e retenção de uma via pela farmácia.
Como o Ozempic age no organismo
A semaglutida é um agonista do receptor de GLP-1, uma substância que reproduz parte da ação de um hormônio intestinal. Em resposta à alimentação e quando a glicose está elevada, ela ajuda a estimular a liberação de insulina e a reduzir a liberação de glucagon, hormônio que favorece a produção de glicose pelo fígado. Também pode retardar o esvaziamento do estômago e aumentar a sensação de saciedade.
Esses mecanismos contribuem para reduzir a glicemia e a hemoglobina glicada, exame usado para acompanhar o controle médio da glicose ao longo dos meses. Algumas pessoas também perdem peso durante o tratamento, mas essa resposta varia. No caso do Ozempic, a indicação principal continua sendo o diabetes tipo 2; não é apropriado iniciar ou interromper o medicamento por conta própria com objetivo exclusivamente estético.
Para quem o medicamento pode ser indicado
A decisão não depende apenas do valor da glicose. O profissional avalia a hemoglobina glicada, risco de hipoglicemia, peso, função renal, doenças cardiovasculares, outros remédios em uso, preferências e acesso ao tratamento. Diretrizes recentes reforçam a individualização da terapia e apontam os medicamentos baseados em GLP-1 como opções relevantes em muitas pessoas com diabetes tipo 2, especialmente quando também há necessidade de considerar peso, doença cardiovascular ou doença renal crônica.
Ozempic não é indicado para diabetes tipo 1 nem para tratar cetoacidose diabética. Também não é insulina e não deve ser usado como substituto dela sem orientação. Pessoas que usam insulina ou sulfonilureias podem precisar de revisão das doses desses medicamentos para reduzir o risco de hipoglicemia.
Como é usado
O Ozempic é aplicado por via subcutânea, geralmente uma vez por semana. Os locais usuais incluem abdômen, coxa ou parte superior do braço, conforme a orientação da bula e da equipe de saúde. A dose costuma ser iniciada e ajustada gradualmente pelo prescritor, uma estratégia que pode ajudar na tolerabilidade gastrointestinal.
Antes da primeira aplicação, peça demonstração prática ao farmacêutico, enfermeiro ou médico. Confira a validade, a aparência da solução, o armazenamento e a técnica correta para a caneta específica recebida. Não compartilhe canetas ou agulhas, mesmo com troca de agulha.
Efeitos colaterais e sinais que merecem atenção
Náusea, diarreia, vômitos, dor abdominal, constipação e redução do apetite estão entre os efeitos adversos mais relatados. Eles podem ser mais perceptíveis no início ou após aumento de dose. Comer porções menores, evitar refeições muito gordurosas quando houver desconforto e manter hidratação podem ajudar, mas sintomas persistentes ou intensos precisam ser avaliados.
Procure atendimento rapidamente em caso de dor abdominal forte e persistente, especialmente se vier acompanhada de vômitos, pois esse quadro requer investigação. Também informe à equipe de saúde sintomas de doença da vesícula, desidratação, alteração visual ou reação alérgica. A Anvisa alertou para um evento ocular muito raro associado à semaglutida que pode causar perda visual súbita; por isso, uma alteração repentina na visão exige avaliação urgente.
A bula recomenda cautela em pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Gestação, planejamento gestacional, amamentação, pancreatite prévia, problemas importantes no estômago ou intestino e cirurgia programada são situações que devem ser discutidas antes ou durante o uso. Informe também o anestesista sobre o medicamento antes de procedimentos com anestesia ou sedação profunda.
Ozempic ajuda a emagrecer?
A redução de peso pode ocorrer porque a semaglutida influencia a saciedade e a ingestão alimentar. Porém, o efeito não é igual para todas as pessoas, e peso não deve ser o único critério para avaliar o tratamento do diabetes. A alimentação, o movimento corporal possível, o sono, o monitoramento da glicose e o uso correto dos demais medicamentos continuam sendo parte do cuidado.
Para quem tem diabetes tipo 2 e também precisa manejar o peso, a escolha terapêutica deve considerar benefícios, riscos, tolerabilidade e condições associadas. Há outras opções da mesma área terapêutica; se quiser entender uma delas, veja o artigo sobre Mounjaro (tirzepatida): para que serve, indicações e cuidados no Brasil.
Acompanhamento e compra no Brasil
O tratamento precisa de reavaliações periódicas. Leve registros de glicemia, sintomas, episódios de hipoglicemia, dificuldades com a aplicação e dúvidas sobre alimentação às consultas. Preço, cobertura e disponibilidade variam entre farmácias, planos de saúde e localidades; confirme essas informações antes de assumir que haverá fornecimento contínuo.
Evite comprar canetas de origem desconhecida, em redes sociais ou sem receita. Além do risco de falsificação e conservação inadequada, o uso sem avaliação profissional aumenta a chance de erro de dose, interações e efeitos adversos.
Fontes consultadas
- Anvisa: nova indicação do Ozempic para adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica
- Anvisa: retenção de receita para medicamentos agonistas de GLP-1
- Bula profissional do Ozempic
- American Diabetes Association: abordagem farmacológica do diabetes tipo 2
Perguntas frequentes sobre Ozempic
Ozempic é insulina?
Não. Ozempic contém semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1. Embora ajude o organismo a liberar insulina de forma dependente da glicose, ele não é um tipo de insulina e não deve substituí-la sem decisão médica.
Quem usa Ozempic pode ter hipoglicemia?
Quando usado sozinho, o risco tende a ser baixo. Porém, ele pode aumentar o risco de hipoglicemia quando combinado com insulina ou sulfonilureias. Tremor, suor frio, palpitação, fome intensa, tontura ou confusão devem ser reconhecidos e discutidos com a equipe que acompanha o tratamento.
Ozempic pode ser usado apenas para emagrecer?
Ozempic é registrado no Brasil para diabetes tipo 2. Embora algumas pessoas tenham perda de peso durante o tratamento, a indicação deve respeitar a bula, a avaliação clínica e os objetivos de saúde de cada paciente.
Posso parar de tomar Ozempic quando minha glicose melhorar?
Não interrompa por conta própria. A melhora da glicose pode estar relacionada ao medicamento e ao conjunto do tratamento. O profissional avaliará exames, sintomas, efeitos adversos e os outros remédios antes de manter, ajustar ou suspender a terapia.





