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Proteína de fava na mira da Anvisa: entenda a proibição do Peptistrong e alternativas seguras

Entenda a suspensão e o recolhimento do Peptistrong pela Anvisa, o que fazer se você comprou o produto e quais alternativas proteicas avaliar com segurança.

Ilustração de Pote genérico de suplemento proteico vegetal ao lado de grãos de fava em uma bancada clara

Em 9 de outubro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou o recolhimento de todos os lotes do Peptistrong, fabricado pela Manipulação Stevia Ltda. (Biostevi Pharma). A medida também suspende a comercialização, a distribuição, a fabricação, a propaganda e o uso do produto no Brasil.

O motivo é específico: a proteína de fava hidrolisada usada no Peptistrong não passou pela avaliação de segurança exigida para uso em alimentos. É importante fazer essa distinção para evitar conclusões precipitadas: a decisão não equivale a uma proibição geral da fava nem de toda proteína obtida desse vegetal.

A determinação consta na Resolução-RE nº 3.967, de 8 de outubro de 2026. A própria Anvisa informou o recolhimento de todos os lotes em 9 de outubro.

O que aconteceu com o Peptistrong?

O Peptistrong é um ingrediente produzido a partir da hidrólise enzimática da proteína de fava. Em termos simples, esse processamento quebra as proteínas em fragmentos menores, chamados peptídeos. A Anvisa entendeu que esse processo pode gerar alterações relevantes na composição, na estrutura, no valor nutricional e na forma como o ingrediente é metabolizado.

Por isso, o componente foi enquadrado como novo ingrediente. Nessa situação, não basta que a matéria-prima original, a fava, tenha histórico de consumo: a versão hidrolisada precisa passar por avaliação de segurança para a finalidade pretendida antes de ser comercializada em alimentos.

A resolução cita evidências de publicidade e comercialização do produto sem que essa avaliação tivesse sido realizada. A medida é sanitária e preventiva; ela não deve ser interpretada, por si só, como confirmação de que todas as pessoas que consumiram o produto terão algum problema de saúde.

Proteína de fava foi proibida?

Não. O alvo da medida é o Peptistrong e sua proteína de fava hidrolisada, nas condições descritas pela Anvisa. A agência já esclareceu, em análise técnica anterior, que a proteína isolada de fava, quando fabricada de acordo com os padrões aplicáveis, pode ser considerada ingrediente convencional para alimentos.

A diferença está no processo e no produto final. “Proteína de fava”, “proteína isolada de fava” e “proteína de fava hidrolisada” não são necessariamente equivalentes do ponto de vista regulatório. Ler a lista de ingredientes e a denominação do produto ajuda a identificar o que, de fato, está sendo comprado.

Isso também reforça uma regra útil para qualquer suplemento: ingredientes conhecidos não dispensam controle de qualidade, enquadramento sanitário adequado e comunicação responsável sobre seus possíveis efeitos.

O que fazer se você comprou Peptistrong?

Diante da suspensão de uso determinada pela Anvisa, a conduta mais prudente é interromper o consumo e guardar a embalagem, o lote e o comprovante de compra. Entre em contato com o estabelecimento ou canal de atendimento da marca para obter orientação sobre recolhimento, devolução ou ressarcimento.

Se ocorrer qualquer reação inesperada após o consumo, procure atendimento de saúde. Também é possível verificar medidas sanitárias e produtos irregulares no canal de consulta da Anvisa.

Alternativas seguras para atingir a meta de proteína

Trocar um produto suspenso não exige encontrar um “substituto idêntico”. Para a maioria das pessoas, a estratégia mais consistente é começar pela alimentação habitual e ajustar a ingestão proteica conforme rotina, preferências, atividade física e condições de saúde.

Priorize alimentos fontes de proteína

Quem consome alimentos de origem animal pode variar entre ovos, leite, iogurte natural, queijos, frango, peixe e carnes. Para vegetarianos e veganos, feijões, lentilhas, grão-de-bico, ervilhas, soja, tofu, tempeh, amendoim e outras oleaginosas podem participar de refeições equilibradas.

Além de proteína, esses alimentos fornecem diferentes quantidades de fibras, ferro, cálcio, gorduras e outros nutrientes. Por isso, a qualidade da dieta não depende apenas do número de gramas de proteína no rótulo.

Se optar por suplemento, avalie o básico antes

Suplementos proteicos podem ser práticos em contextos específicos, como dificuldade de bater a meta alimentar, rotina corrida ou orientação nutricional. Ainda assim, não substituem automaticamente refeições nem são indispensáveis para todas as pessoas.

  • Prefira produtos com fabricante e rotulagem claramente identificados.
  • Confira a lista de ingredientes, a porção e o teor de proteína por dose.
  • Desconfie de promessas de ganho muscular acelerado, recuperação garantida ou resultados terapêuticos.
  • Verifique se os ingredientes e alegações constam nas referências da Anvisa para suplementos.
  • Considere alergias, intolerâncias, doença renal, gestação, lactação e uso de medicamentos antes de iniciar um produto.

A Anvisa disponibiliza uma consulta de ingredientes autorizados para suplementos, com limites de uso, advertências e alegações permitidas. Vale lembrar que a frase “aprovado pela Anvisa” não deve ser usada como atalho de confiança em propagandas de suplementos.

Para aprofundar critérios de compra e evitar decisões por modismo, leia também o Guia do Suplemento Seguro: como escolher e por que a auto-suplementação pode ser um risco.

Por que promessas de desempenho merecem cautela?

Um ingrediente pode ter estudos iniciais ou ser associado a mecanismos interessantes sem que isso prove superioridade sobre alimentos, proteínas tradicionais ou outros suplementos. Resultados de pesquisa dependem de dose, composição completa, perfil de aminoácidos, treinamento, sono, consumo energético e características individuais.

Para ganho ou manutenção de massa muscular, a alimentação total, o treino de força quando indicado e a regularidade costumam ter mais peso do que a busca pelo ingrediente mais novo. Pessoas idosas, atletas, veganas, em emagrecimento ou com doenças crônicas podem se beneficiar de planejamento individualizado com nutricionista ou médico.

Perguntas frequentes

O Peptistrong está proibido no Brasil?

Sim. A Resolução-RE nº 3.967/2026 determinou o recolhimento de todos os lotes e suspendeu comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso do Peptistrong no território nacional.

A fava faz mal ou está proibida?

Não é isso que a medida diz. A ação da Anvisa trata da proteína de fava hidrolisada presente no Peptistrong, que não passou pela avaliação de segurança exigida para esse uso. A decisão não proíbe o consumo de fava como alimento nem toda proteína de fava.

Posso usar outro suplemento de proteína vegetal?

Pode ser uma opção, desde que o produto seja adequado às suas necessidades e tenha composição e rotulagem regulares. Proteínas de soja, ervilha, arroz e fava em formulações permitidas podem aparecer no mercado, mas a escolha deve considerar ingredientes, alergias, objetivo alimentar e orientação profissional quando necessária.

Qual é a melhor alternativa ao Peptistrong para ganhar massa muscular?

Não existe uma alternativa universalmente melhor. A escolha depende da ingestão total de proteína, qualidade da dieta, tolerância individual, orçamento, preferência alimentar e treino. Um nutricionista pode calcular uma meta realista e indicar se há necessidade de suplementação.

Foto de Marcia Limma

Escrito por: Marcia Limma

Nutricionista

MPPS 4781

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