Medicamentos

Remédios para emagrecer mais usados no Brasil: opções, indicações e cuidados

Guia sobre remédios para emagrecer mais usados no Brasil, incluindo semaglutida, tirzepatida, liraglutida, sibutramina e orlistate, com cuidados e critérios de uso.

Ilustração de Caneta injetável, fita métrica e prontuário médico sobre mesa clara, representando o uso responsável de medicamentos para emagrecer

Quais são os remédios para emagrecer mais usados?

A busca pelos melhores remédios para emagrecer mais usados costuma aumentar quando alimentação e atividade física, embora importantes, não têm sido suficientes para controlar o peso e os riscos associados à obesidade. Porém, “mais usado” não significa “melhor para qualquer pessoa”: não existe uma lista universal em ordem de eficácia ou segurança.

No Brasil, os medicamentos mais conhecidos para controle crônico do peso incluem opções que atuam no apetite, na saciedade ou na absorção de gordura. A escolha depende do índice de massa corporal (IMC), da presença de doenças associadas, do histórico de saúde, de outros remédios em uso e da avaliação individual de riscos e benefícios.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde descreve a obesidade como uma condição crônica e multifatorial. Por isso, medicamentos, quando indicados, fazem parte de um plano mais amplo, que pode envolver alimentação, movimento possível para cada pessoa, sono, saúde mental e tratamento de outras condições.

Principais opções usadas sob prescrição

Semaglutida

A semaglutida é um medicamento da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Ela pode aumentar a saciedade e reduzir a fome em algumas pessoas. No país, produtos como Wegovy e Poviztra possuem indicação aprovada para obesidade ou sobrepeso com comorbidades, enquanto outros produtos com semaglutida têm registro voltado ao diabetes tipo 2. Portanto, usar uma apresentação destinada ao diabetes com finalidade estética não é o mesmo que seguir uma indicação aprovada para controle de peso.

A Anvisa informa que Wegovy é indicado como complemento à dieta hipocalórica e ao aumento da atividade física em adultos com IMC a partir de 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando há pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso. Náusea, vômitos, diarreia, constipação e outros sintomas gastrointestinais podem ocorrer e precisam ser discutidos no acompanhamento. Leia também: Liraglutida: para que serve, como é usada e quais cuidados exige.

Tirzepatida

A tirzepatida atua em receptores relacionados aos hormônios GIP e GLP-1. No Brasil, Mounjaro recebeu indicação para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou com sobrepeso acompanhado de condições relacionadas ao peso. Assim como a semaglutida, não deve ser entendida como substituta de mudanças sustentáveis de hábitos nem como solução para emagrecimento rápido.

O início, a progressão de dose e a continuidade do tratamento exigem avaliação médica. Além dos efeitos digestivos, o profissional deve investigar contraindicações, interações e sintomas que mereçam atenção durante o uso.

Liraglutida

A liraglutida também pertence à classe dos agonistas de GLP-1. Ela está presente em medicamentos aprovados para obesidade e sobrepeso em contextos específicos, como Saxenda e Olire. Em geral, é uma opção injetável de uso diário, mas a frequência de aplicação não define qual tratamento é mais adequado: a decisão considera resposta clínica, tolerância, disponibilidade e perfil de saúde.

Medicamentos dessa classe passaram a ser vendidos com retenção de receita no Brasil desde 23 de junho de 2025. A medida inclui substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida e busca reduzir o uso sem supervisão e fora das indicações aprovadas. Consulte as orientações da Anvisa sobre a dispensação de agonistas de GLP-1.

Sibutramina

A sibutramina é um inibidor de apetite sujeito a controle especial. Pode ser considerada em situações selecionadas, mas requer cautela por seus possíveis efeitos sobre pressão arterial e frequência cardíaca. Não é apropriada para automedicação nem para pessoas com determinadas doenças cardiovasculares.

A substância integra a lista de psicotrópicos anorexígenos sujeitos à Notificação de Receita “B2”, conforme a regulamentação sanitária. Acompanhar pressão, resposta ao tratamento e efeitos adversos faz parte do uso seguro. Veja detalhes em Sibutramina: para que serve, riscos, regras de uso e acompanhamento médico.

Orlistate

O orlistate age no intestino, reduzindo a absorção de parte da gordura ingerida. Por isso, seus efeitos adversos mais conhecidos são gastrointestinais, como urgência para evacuar, fezes oleosas e gases, especialmente quando a alimentação tem muita gordura. Ele não acelera o metabolismo e não elimina a necessidade de ajuste alimentar.

Em alguns casos, pode ser necessário avaliar a alimentação e a ingestão de vitaminas lipossolúveis. A indicação deve ser individualizada, principalmente em pessoas com doenças intestinais, problemas de absorção de nutrientes ou uso contínuo de outros medicamentos.

O que não deve entrar na lista de “melhores”

Laxantes, diuréticos, fórmulas sem identificação clara e produtos vendidos como “naturais” não são alternativas seguras para perder gordura corporal. Laxantes e diuréticos podem alterar temporariamente o peso na balança por perda de líquidos ou conteúdo intestinal, mas não tratam a obesidade. Também podem provocar desidratação e desequilíbrios de eletrólitos.

Produtos de origem vegetal ou suplementos não devem ser tratados como medicamentos só porque prometem reduzir medidas. “Natural” não é sinônimo de eficaz, regularizado ou isento de riscos. Antes de usar suplementos para emagrecimento, confira se há registro ou regularização aplicável e converse com um profissional habilitado.

Como avaliar se um medicamento pode fazer sentido

  • Procure avaliação médica para confirmar se há indicação clínica, e não apenas desejo de mudança estética rápida.
  • Informe doenças prévias, gravidez ou amamentação, histórico familiar relevante e todos os medicamentos e suplementos usados.
  • Entenda o objetivo do tratamento, os efeitos adversos esperados e os sinais que exigem contato com a equipe de saúde.
  • Evite comprar canetas, cápsulas ou fórmulas em redes sociais, marketplaces ou canais sem procedência.
  • Planeje a manutenção dos resultados com alimentação possível de sustentar e acompanhamento regular.

O tratamento adequado não se resume a escolher um produto. A reavaliação periódica ajuda a verificar se há benefício clínico, se os efeitos adversos são toleráveis e se a estratégia continua apropriada.

Perguntas frequentes

Qual é o remédio para emagrecer mais eficaz?

Não há um único medicamento mais eficaz para todas as pessoas. A resposta varia conforme diagnóstico, IMC, doenças associadas, tolerância, contraindicações e adesão ao plano de tratamento. Medicamentos com indicação aprovada devem ser comparados pelo médico dentro do contexto individual.

Ozempic pode ser usado para emagrecer?

Ozempic tem registro no Brasil para diabetes tipo 2. Embora contenha semaglutida, ele não deve ser confundido com apresentações registradas especificamente para controle de peso, como Wegovy. O uso fora da bula pode ser avaliado por médico em circunstâncias particulares, mas não deve ocorrer por conta própria.

Canetas para emagrecer precisam de receita?

Sim. Desde 23 de junho de 2025, os medicamentos agonistas de GLP-1, incluindo semaglutida, liraglutida e tirzepatida, são dispensados com retenção de receita no Brasil. A receita tem validade de até 90 dias, conforme regra da Anvisa.

Remédio natural para emagrecer funciona?

Alguns produtos podem ter efeitos modestos ou usos específicos, mas não devem ser apresentados como equivalentes a tratamentos aprovados para obesidade. Além de a evidência variar muito, suplementos e fórmulas podem causar interações e efeitos adversos. A origem natural não elimina a necessidade de cautela.

Posso tomar remédio para emagrecer sem fazer dieta?

Não é a abordagem recomendada. As indicações aprovadas para medicamentos de controle de peso os associam a uma alimentação com menor densidade calórica e à atividade física adequada às condições da pessoa. Um nutricionista e um médico podem ajudar a construir um plano realista e seguro.

Foto de Marcia Limma

Escrito por Marcia Limma

Nutricionista

MPPS 4781

Ver todos os artigos →

Caráter informativo — as informações disponibilizadas não substituem avaliação, diagnóstico, tratamento ou acompanhamento de profissionais de saúde.