Nutrição

Ovo é rico em proteínas? Veja quanto oferece e como incluir na alimentação

O ovo é um alimento fonte de proteínas e outros nutrientes. Saiba quanto ele fornece, como preparar e quando buscar orientação profissional.

Ilustração de Ovo cozido cortado ao meio em prato claro, acompanhado de legumes frescos, representando alimentação equilibrada e proteína

O ovo é um alimento muito rico em proteínas?

O ovo é uma fonte prática de proteína de origem animal e pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. No entanto, dizer que ele é “muito rico” em proteínas depende da comparação e da porção consumida. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), da USP, 100 g de ovo de galinha inteiro cozido, sem sal, fornecem em média 10,4 g de proteína.

Na prática, um ovo de tamanho comum tem uma quantidade menor do que 100 g de parte comestível. Por isso, ele ajuda a compor a ingestão proteica diária, mas não precisa ser tratado como única fonte desse nutriente. Feijão, leite e derivados, carnes, peixes, frango, soja, tofu e outras leguminosas também contribuem para refeições variadas.

As proteínas participam da manutenção de tecidos, da produção de enzimas e hormônios e de diversas funções do organismo. As necessidades individuais variam conforme idade, estado de saúde, nível de atividade física, fase da vida e alimentação habitual. Pessoas com doença renal, restrições alimentares ou objetivos específicos de ganho de massa muscular devem buscar orientação de nutricionista ou médico.

Clara e gema: onde está a proteína do ovo?

A clara é conhecida por conter proteína e praticamente não ter gordura. Ainda assim, a gema não deve ser descartada automaticamente: ela também contém proteína e concentra parte importante dos micronutrientes e das gorduras do alimento. Ao separar a clara, a pessoa reduz gorduras e colesterol da preparação, mas também deixa de consumir nutrientes presentes na gema.

Portanto, a melhor escolha depende do contexto. Quem precisa aumentar a proteína de uma receita sem elevar muito as calorias pode usar claras junto de ovos inteiros. Já para a alimentação cotidiana, o ovo completo pode ser uma opção conveniente, especialmente quando preparado com pouca gordura adicionada.

O ovo inteiro cozido listado pela TBCA apresenta, por 100 g, cerca de 125 kcal, 8,7 g de lipídios e 1,38 g de carboidratos. Se a dúvida for sobre esse último nutriente, veja também a quantidade de carboidratos do ovo e como incluí-lo na alimentação.

Ovo, colesterol e alimentação como um todo

A gema contém colesterol, mas avaliar o alimento apenas por esse componente simplifica demais a discussão. As recomendações atuais enfatizam o padrão alimentar completo: frequência de frutas, verduras, feijões, cereais integrais, fontes de gordura insaturada, alimentos ultraprocessados, sódio e gorduras saturadas também influenciam a qualidade da dieta e a saúde cardiovascular.

A American Heart Association ressalta que a relação entre colesterol alimentar e risco cardiovascular deve ser analisada no contexto da dieta inteira. Para pessoas com colesterol LDL elevado, diabetes, doença cardiovascular ou outras condições que exigem cuidado, a quantidade e a frequência de ovos devem ser individualizadas com um profissional de saúde.

Isso significa que o ovo não precisa ser visto como vilão ou como alimento milagroso. Prepará-lo com bacon, embutidos, manteiga em excesso e muitos alimentos ultraprocessados gera uma refeição diferente de combiná-lo com arroz, feijão, verduras, legumes e frutas ao longo do dia.

Como incluir ovo nas refeições de forma equilibrada

O Guia Alimentar para a População Brasileira valoriza alimentos in natura ou minimamente processados, preparações culinárias e variedade. Ovos podem entrar nesse padrão como uma das alternativas do grupo de carnes e ovos.

  • No café da manhã: ovo mexido com tomate, cebola e cheiro-verde, servido com fruta e pão integral ou cuscuz.
  • No almoço ou jantar: ovo cozido ou omelete ao lado de arroz, feijão e salada.
  • Em lanches: ovo cozido acompanhado de vegetais crus ou usado em sanduíche caseiro com folhas.
  • Em preparações: omeletes, tortas caseiras e arroz de forno podem receber ovo, priorizando ingredientes pouco processados.

Cozido, pochê, mexido e omelete tendem a exigir menos óleo do que frituras por imersão. Isso não torna uma preparação obrigatoriamente melhor em todas as situações, mas facilita o controle da gordura adicionada. Temperos como ervas, cúrcuma, pimenta, alho e cebola ajudam a dar sabor sem depender de excesso de sal.

Cuidados com compra, armazenamento e preparo

A segurança dos alimentos é tão importante quanto a composição nutricional. A Anvisa orienta comprar ovos de estabelecimentos inspecionados, verificar rótulo, origem, lote e prazo de validade, além de mantê-los refrigerados conforme a orientação da embalagem.

Se houver sujeira na casca, a recomendação é lavar o ovo somente pouco antes de utilizá-lo, pois a lavagem antecipada pode remover uma película protetora natural. Também é prudente cozinhar bem ovos e evitar preparações com ovo cru ou malpassado, sobretudo para crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com imunidade comprometida.

O ovo pode contribuir com proteínas e nutrientes, mas os benefícios de uma alimentação saudável vêm da combinação regular de diferentes alimentos e hábitos, não de um item isolado.

Perguntas frequentes sobre ovo e proteína

Quantas gramas de proteína há em um ovo?

A quantidade varia com o tamanho do ovo e a parte comestível. Como referência, a TBCA informa 10,4 g de proteína a cada 100 g de ovo inteiro cozido. Para estimativas pessoais mais precisas, considere o peso do alimento e o modo de preparo.

A clara tem mais proteína do que a gema?

A clara é majoritariamente composta por água e proteína e praticamente não contém gordura. Porém, a gema também fornece proteína, além de vitaminas, minerais e gorduras. Consumir somente claras pode ser útil em receitas específicas, mas o ovo inteiro oferece um perfil nutricional mais amplo.

Ovo ajuda a ganhar massa muscular?

O ovo pode contribuir para atingir a ingestão de proteína de uma pessoa fisicamente ativa, mas não promove ganho de massa muscular sozinho. Treinamento adequado, ingestão energética suficiente, sono, regularidade e o total de proteínas da dieta fazem diferença. Um nutricionista pode ajustar as quantidades às necessidades individuais.

Quem tem colesterol alto pode comer ovo?

Depende do quadro clínico, dos exames e do padrão alimentar total. Pessoas com colesterol alto ou doença cardiovascular devem discutir a frequência de consumo com médico ou nutricionista, sem fazer mudanças baseadas apenas em informações gerais.

Qual é a forma mais saudável de preparar ovo?

Não existe uma única forma ideal para todas as pessoas. Cozido, pochê, mexido ou em omelete com legumes são opções que podem usar pouca gordura adicionada. O principal é observar a quantidade de óleo, sal e acompanhamentos, além de garantir o cozimento adequado.

Foto de Marcia Limma

Escrito por: Marcia Limma

Nutricionista

MPPS 4781

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