O que mudou na compra de Ozempic e Mounjaro
A regra da Anvisa sobre retenção de receita para medicamentos agonistas de GLP-1 está em vigor no Brasil desde 23 de junho de 2025. Na prática, a farmácia ou drogaria deve reter uma via da prescrição no momento da dispensação. A medida alcança medicamentos como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Rybelsus, Saxenda e outros produtos que contenham substâncias da classe listada pela Agência.
É importante esclarecer um ponto: esses medicamentos já eram de venda sob prescrição. A mudança foi o reforço do controle na dispensação, com a retenção da receita, de modo semelhante ao que ocorre com antimicrobianos. As regras foram estabelecidas pela RDC 973/2025 e pela IN 360/2025. A Anvisa detalha a norma em seu documento de perguntas e respostas sobre medicamentos GLP-1.
Quais medicamentos são abrangidos pela medida
A exigência não se limita às marcas Ozempic e Mounjaro. Ela se aplica a medicamentos de uso sob prescrição que contenham agonistas do receptor de GLP-1, isolados ou em associação, incluídos na lista da Anvisa. Entre as substâncias estão semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, lixisenatida e tirzepatida.
Por isso, o nome comercial não é o único critério. Produtos injetáveis e orais podem estar sujeitos à regra conforme seu princípio ativo. Ozempic e Rybelsus contêm semaglutida; Mounjaro contém tirzepatida e também atua nos receptores GIP e GLP-1. Para entender indicações, riscos e acompanhamento, veja também o conteúdo sobre Ozempic (semaglutida): benefícios no diabetes tipo 2, riscos e uso seguro e sobre Mounjaro (tirzepatida): indicações e cuidados no Brasil.
Como deve ser a receita
Quando emitida em papel, a receita deve ter duas vias: uma fica retida no estabelecimento e a outra permanece com o paciente. O receituário é privativo do profissional prescritor ou do estabelecimento de saúde; não há um modelo exclusivo de receita para esses medicamentos.
A prescrição deve estar legível, sem rasuras, e informar dados do paciente, medicamento ou substância, concentração, forma farmacêutica, posologia, quantidade, data e identificação do prescritor. A validade é de 90 dias contados a partir da emissão.
A receita eletrônica também pode ser aceita em todo o território nacional, desde que tenha assinatura eletrônica avançada do profissional e que a farmácia consiga verificar o documento original e sua validade. Em todos os formatos, pelo menos uma via ou registro da prescrição precisa ser mantido pelo estabelecimento, conforme as orientações sanitárias.
Por que a Anvisa adotou a retenção de receita
Segundo a Anvisa, a medida busca melhorar o monitoramento da dispensação e reduzir o uso inadequado desses medicamentos, especialmente fora das indicações aprovadas e sem acompanhamento profissional. A Agência destacou notificações de eventos adversos e preocupações com erros de dose, automedicação e acesso facilitado a produtos sem a avaliação necessária.
O controle não significa que todo uso fora da bula seja automaticamente proibido. O uso off-label pode ser decidido pelo médico em situações específicas, desde que haja justificativa clínica, esclarecimento ao paciente e acompanhamento. Ainda assim, comprar ou usar por conta própria não substitui uma avaliação individual.
O que o paciente deve fazer para comprar com segurança
- Procure um profissional habilitado para avaliar se o medicamento é apropriado para sua condição de saúde.
- Leve uma receita válida, em duas vias quando for impressa, ou uma prescrição eletrônica verificável.
- Compre apenas em farmácias e drogarias regularizadas.
- Siga a dose, o intervalo de uso e as orientações de conservação indicados pelo prescritor e pela bula.
- Informe ao profissional sobre outros medicamentos em uso, sintomas persistentes, cirurgia programada, anestesia ou sedação.
Medicamentos dessa classe podem causar efeitos gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação, entre outros riscos descritos em bula. Sintomas intensos, persistentes ou inesperados precisam de avaliação médica. A Anvisa também publicou alerta para cuidados com agonistas de GLP-1 em pessoas que serão submetidas a anestesia ou sedação profunda.
Canetas injetáveis não são uma solução estética de uso livre. O tratamento deve considerar indicação aprovada, histórico clínico, contraindicações, expectativas realistas e acompanhamento ao longo do tempo.
Retenção de receita não substitui acompanhamento
A nova regra é uma medida de controle sanitário, não uma garantia de que o tratamento seja adequado para todas as pessoas. Ozempic tem indicação aprovada no Brasil para diabetes tipo 2, enquanto a tirzepatida do Mounjaro também recebeu indicação para controle crônico do peso em adultos que atendem a critérios clínicos definidos pela Anvisa. A prescrição deve levar em conta o diagnóstico, a bula e a relação entre benefícios e riscos para cada paciente.
Para objetivos relacionados ao peso, medicamentos podem fazer parte de um plano de cuidado, mas não eliminam a importância de alimentação, atividade física possível, sono, saúde mental e seguimento profissional. Estratégias extremas e promessas de perda rápida costumam aumentar riscos. Saiba mais em como perder peso a longo prazo com hábitos possíveis de manter.
Perguntas frequentes
Posso comprar Ozempic ou Mounjaro sem receita?
Não. Esses medicamentos são de venda sob prescrição. Desde 23 de junho de 2025, a dispensação dos produtos abrangidos pela regra também exige a retenção da receita pela farmácia ou drogaria.
A receita para Ozempic e Mounjaro vale por quanto tempo?
A validade é de até 90 dias a partir da data de emissão, conforme a IN 360/2025 da Anvisa. A prescrição precisa atender aos requisitos obrigatórios para ser dispensada.
A regra vale apenas para canetas para emagrecer?
Não. A regra considera as substâncias agonistas de GLP-1 listadas pela Anvisa, e não apenas o uso para controle de peso. Portanto, alcança medicamentos destinados também ao tratamento do diabetes tipo 2, inclusive algumas apresentações orais.
A receita digital é aceita?
Sim, desde que cumpra os requisitos de assinatura eletrônica avançada e possa ser verificada pela farmácia. O estabelecimento deve seguir as exigências de guarda e registro da prescrição.
Posso reutilizar a mesma receita várias vezes?
Isso depende da quantidade prescrita e da dispensação registrada pela farmácia, mas uma via da receita deve ser retida. Para não interromper ou alterar o tratamento por conta própria, confirme a orientação com o prescritor e com o farmacêutico.





